“Sinto-me como se estivesse atordoado”, disse o diretor argentino Juan José Campanella, diretor de “O segredo dos seus olhos”, enquanto segurava o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro que ganhou no domingo, na 82ª premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Campanella com o Oscar nas mãos: “Sinto uma sensação de atordoamento”

AFP
Juan José Campanella, da Argentina comemora o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro "O segredo dos seus olhos" no 82o Academy Awards. (AFP Photo / Mark Ralston)

Juan José Campanella, da Argentina comemora o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro "O segredo dos seus olhos" no 82o Academy Awards. (AFP Photo / Mark Ralston)

“Sinto-me como se estivesse atordoado”, disse o diretor argentino Juan José Campanella, diretor de “O segredo dos seus olhos”, enquanto segurava o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro que ganhou no domingo, na 82ª premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

“Quando me levantar amanhã, talvez ao beber água, e me encontrar ali, parado, creio que a ficha vá cair”, disse Campanella em uma coletiva de imprensa no Hotel Mondrian de Hollywood.

O cineasta foi recebido ali pelos jornalistas de seu país como o vencedor de uma copa de futebol ou uma estrela de rock, pouco depois da meia-noite em Los Angeles, manhã na Argentina e na Espanha.

Campanella, acompanhado pelo ator Guillermo Francella, e vários produtores argentinos e espanhois desta co-produção, confessaram que estavam muito nervosos no momento de subir ao palco, e por ser uma das maiores delegações, só o diretor da película protagonizada por Ricardo Darín e soledas Villamil teve tempo para falar.

“Sem dúvida isto dá grandes possibilidades para o filme, sobretudo quando estrear, em 16 de abril, nos Estados Unidos”, disse o produtor espanhol Gerardo Herrero.

“Isto é a confirmação de que a força entre duas regiões, a força da co-produção, pode trazer estes resultados maravilhosos para o cinema”, disse à AFP a produtora argentina da película, Mariela Besuievsky.

“Vamos, Argentina, e um abraço para os irmãos do Chile!” (que sofreram um violento terremoto em 27 de fevereiro), gritou Campanella ao erguer o Oscar ao qual aspirava também a peruana “A teta assustada”, de Claudia Llosa.

Os prognósticos nos Estados Unidos davam como favoritas a produção francesa “Um profeta” e a alemã “A fita branca” – vencedora da Palma de Ouro em Cannes e do Globo de Ouro – em uma disputa onde também concorreu “Ajami”, de Israel.

“Não digo apenas que são cinco películas radicalmente diferentes entre si. Mostra uma abertura de mentalidade da Academia, que é muito poderosa”, disse Campanella aos jornalistas, com os Oscar nas mãos.

Ele declarou que a vitória de seu filme também demonstrou que a Academia “não se preocupa com a história contada pelo filme, por quantos prêmios conseguiu em algum lugar, ou razões políticas, em nada disso”. O juri “vota apenas no filme que gosta, e isso ficou provado”, afirmou. “Acredito que haja muito preconceito sobre o processo dessa premiação”, acrescentou.

“Foi realmente um milagre, porque as películas com as quais estava competindo eram excelentes”, disse o protagonista do filme, Ricardo Darín, em Buenos Aires.

Segundo Darín, o filme ganhou “porque contou uma história dura sem excluir o humor e a coisa cotidiana, enquanto os concorrentes são dramas onde é muito difícil introduzir o humor, e acredito que isto as tenha tornado muito parecidas”.

Este Oscar é o segundo que vai para a Argentina desde “A história oficial”, de Luis Puenzo, em 1986. Ambos os filmes fazem alusão à ditadura argentina (1976-83) para refletir sobre os crimes do poder.

Campanella já havia sido indicado em 2002 pelo bem-sucedido “O filho da noiva”.

Embora classificado como cinema negro, “O segredo de seus olhos” mistura gêneros para narrar uma história sobre a necessidade humana de saciar a sede de justiça, ao ponto de exercê-la com as próprias mãos.

O filme é protagonizado por Ricardo Darín, o ator mais reconhecido do cinema argentino dos últimos anos e também protagonista de “O filho da noiva”.

“O segredo de seus olhos” havia conquistado dois prêmios Goya em Madri, um como melhor filme hispano-americano e outro para Villamil como atriz-revelação. Também ganhou cinco louros no Fetival de Cinema Latino-Americano de Havana.

Junto com Darín e Villamil, a terceira peça-chave do elenco é o ator Guillermo Francella, que até agora brilhava na Argentina como comediante.

Campanella, formado na argentina e em Nova York, filmou muito nos Estados Unidos, onde fez capítulos das famosas séries “A lei e a ordem” e “House”.

 

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