Entrevista com o Major-Brigadeiro Robin Rand, Comandante da 12ª Força Aérea Sul dos EUA

Major-Brigadeiro Robin Rand, Comandante da 12ª Força Aérea Sul dos EUA. (Foto: Diálogo)
Apenas um mês depois de assumir o comando da 12ª Força Aérea Sul (AFSOUTH), o Major-Brigadeiro Robin Rand visitou Miami, na Flórida, para um encontro com suas partes correlatas do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM).
Entre suas novas atribuições como comandante do componente aéreo do SOUTHCOM, o Major-Brigadeiro Rand dedica-se à missão de fortalecer a cooperação e oferecer capacitações aéreas, espaciais e ciberespaciais em toda a América Latina e o Caribe, uma “região fascinante”, segundo suas próprias palavras.
Durante sua visita ao SOUTHCOM, o Major-Brigadeiro Rand conversou com Diálogo sobre diversos tópicos, incluindo a proteção do ciberespaço, o papel dos esquadrões Red Horse e as nuances culturais que fazem de nosso hemisfério uma região tão multifacetada e desafiadora.
Diálogo: Qual é a missão da AFSOUTH e qual sua relação com o SOUTHCOM?
Major-Brigadeiro Robin Rand, comandante da Força Aérea Sul dos EUA: A missão da Força Aérea Sul é cooperar com a segurança e ao mesmo tempo fornecer capacitações aéreas, espaciais e ciberespaciais ao Caribe, América do Sul e América Central. Somos o componente da Força Aérea do SOUTHCOM.
A cooperação para a segurança é feita de diversas maneiras. Grande parte dela vem dos comprometimentos pessoais entre mim – atuando em nome do chefe do Estado-Maior da Força Aérea dos EUA (USAF) e o chefe da Força Aérea – e nossos homólogos da região. Falando de maneira mais prática, a cooperação para a segurança acontece através das oportunidades de treinamento e do intercâmbio de táticas, técnicas e procedimentos entre as diferentes forças aéreas e pilotos da América Latina e do Caribe.
Assim sendo, defender o ar, o espaço e o ciberespaço é parte de nossa responsabilidade. A defesa dos Estados Unidos é sempre uma prioridade, e nós a realizamos com operações contínuas que, dentro de nossas melhores possibilidades, reduzem e detêm o Crime Organizado Transnacional.
Estamos também sempre prontos a ajudar em todos os aspectos, medidas e formas que pudermos, com qualquer tipo de assistência humanitária ou durante desastres naturais. Obviamente, o papel da Força Aérea nisto é muito importante, porque nossa Força Aérea pode rapidamente comparecer com equipes de resgate, médicos, suprimentos e equipamentos aos locais de desastres.
Diálogo: O senhor poderia citar exemplos deste tipo de ajuda?
Major-Brigadeiro Rand: Com tristeza, podemos citar um exemplo recente ocorrido na região do SOUTHCOM que foi o terremoto no Haiti, em janeiro de 2010. Em questão de horas conseguimos levar aviões da Força Aérea até o aeroporto de Porto Príncipe e, ainda que o mesmo estivesse avariado, pudemos conduzir as operações, mantendo o aeroporto em funcionamento – o que foi uma grande ajuda – e garantir que poderíamos manter o tráfego aéreo que para lá se dirigia. As pessoas de todo o mundo queriam ajudar, mas os aeroportos têm um limite de capacidade. Para isto estávamos lá, garantindo o funcionamento do aeroporto, garantindo que haveria alguém para falar com os pilotos e coordenando a chegada da carga e a retirada dos aviões para abrir espaço para que outras aeronaves pousassem. Trouxemos também especialistas: engenheiros civis, médicos e forças de segurança; construímos abrigos e começamos a reparar as infraestruturas avariadas e a prestar assistência médica para salvar vidas. Como ficou provado no Haiti, a assistência humanitária, principalmente aquela prestada imediatamente após um desastre natural grave, é uma parte muito importante daquilo que a AFSOUTH deve fazer em apoio às missões do SOUTHCOM.
Diálogo: O senhor também mencionou a capacitação do ciberespaço como parte de sua missão. Poderia explicar o que esta missão abrange?
Major-Brigadeiro Rand: Ciberespaço é basicamente a forma pela qual nos comunicamos atualmente. No ambiente de hoje, o ciberespaço precisa ser defendido. Há pessoas que tentam atrasar e impactar negativamente nossa capacidade de comunicação cibernética. Em grande parte, o funcionamento de nossa sociedade baseia-se na liberdade de acesso ao espaço cibernético. Tente imaginar a hipótese de um inimigo dos Estados Unidos conseguir interromper nosso sistema bancário. Precisamos nos defender contra esses possíveis ataques. Assim sendo, a defesa dos bens cibernéticos é importantíssima e, dentro de nossas possibilidades, fornecemos nossa experiência nesta área às nações parceiras da América Latina.
Diálogo: Como comandante da 12ª Força Aérea, o senhor é encarregado de 10 alas de combate e um esquadrão Red Horse. O que é um esquadrão Red Horse?
Major-Brigadeiro Rand: A força Red Horse é uma força de resposta de engenharia civil com grande mobilidade, que pode fornecer auxílio emergencial em engenharia civil tão logo seja notificada. Seus membros podem chegar a localidades descampadas e construir unidades de trabalho, alojamentos, refeitórios e unidades básicas para recreação a partir do zero. Eles são extremamente capazes de realizar tudo isto, e com muita rapidez, e não dependem realmente de outras pessoas para isto. Nossos esquadrões Red Horse podem ir a qualquer parte do mundo e atualmente estão em diversos lugares, inclusive no Afeganistão. Eu mesmo, há poucos anos, passei pela experiência de testemunhar um esquadrão Red Horse no Iraque construir um prédio para alojar 5 mil soldados em 30 a 45 dias. Obviamente não era um prédio bonito, mas era funcional.
Neste verão estamos planejando ir ao Peru para o exercício Novos Horizontes. Será um exercício de dois a três meses, onde os membros de nossos esquadrões Red Horse, junto com membros do Exército dos EUA, da Marinha dos EUA e do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA treinarão com o governo peruano. Posso garantir que quando ocorreu o desastre no Haiti, engenheiros do Red Horse foram enviados para lá.
Diálogo: Na sua opinião, qual é a importância de se compreender a cultura e o idioma da região?
Major-Brigadeiro Rand: Em minha carreira na Força Aérea, tive a oportunidade de viver fora dos EUA em diversas ocasiões, e os relacionamentos são importantes. Para que haja um relacionamento, acredito que uma das primeiras coisas que se deve fazer é tentar compreender a cultura. Para que se conheça a cultura, a comunicação é muito importante. Parte da comunicação é ouvir, para que se possa aprender. Vou realmente tentar fazer isto, e tenho muito a aprender sobre a região do SOUTHCOM. Somos vizinhos. São as Américas, e dependemos uns dos outros. É emocionante se concentrar nesta parte do mundo, e eu estou muito empolgado com a oportunidade que estou tendo com esta função.


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