Reservas financeiras do Al-Qaeda estão secando
![A morte de Osama Bin Laden e o impacto das revoluções da Primavera Árabe criaram problemas de doações financeiras para o líder do al-Qaeda, Dr. Ayman al-Zawahiri. [Ho New/Reuters]](/images/shared/images/2012/01/26/zawahiri.jpg)
A morte de Osama Bin Laden e o impacto das revoluções da Primavera Árabe criaram problemas de doações financeiras para o líder do al-Qaeda, Dr. Ayman al-Zawahiri. [Ho New/Reuters]
Quando o Dr. Ayman al-Zawahiri sucedeu ao líder morto da al-Qaeda Osama Bin Laden em junho de 2011, ficou claro que ele deparou-se com a desanimadora tarefa de reconstruir uma organização que sofria uma séria baixa em seus quadros como resultado dos golpes que sofreu, particularmente na região de fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão.
Ficou claro também que al-Zawahiri precisou encontrar uma solução para o desafio apresentado pelas revoluções da Primavera Árabe. A força das demonstrações mostrou que a maioria dos árabes que foi às ruas não suporta a política do al-Qaeda de advogar mudanças através da violência, tampouco está convencida de suas justificativas para atacar o ocidente, uma vez que o ocidente apoiou a população árabe em sua busca por mais liberdade política.
E agora parece que al-Zawahiri precisa encontrar uma solução para outro problema, um que parece ter surgido anos atrás, mas que foi exacerbado pela execução de Bin Laden em Abbottabad, Paquistão, em maio de 2011; especificamente, um déficit de doadores financeiros.
Nove meses após a morte de Bin Laden, nem um ato de retaliação foi perpetrado, o que pode ser resultado da incapacidade da organização de conduzir operações ou seu despreparo para fazê-lo nesse momento específico. Outro razão pode ser a miríade de serviços de segurança nos países ocidentais e árabes, que estão em alerta máximo para prevenir a ocorrência de possíveis ataques.
Outro fator que pode estar adiando ou atrapalhando a execução de ataques pode ser uma falta de doadores financeiros para o al-Qaeda. Essa falta de fundos pode estar afetando sua capacidade de fazer os preparativos necessários para grandes operações, que exigem um substancioso financiamento, além do custo de recrutamento e treinamento de ativistas.
Déficit de doadores financeiros não é novidade
O déficit de doadores financeiros para o al-Qaeda no Waziristão não é, de fato, novidade. Informações frequentes sobre a falta de fundos têm circulado por anos. Al-Zawahiri salientou a questão explicitamente em 2005, numa carta para Abu Musab al-Zarqawi, o último líder do braço da al-Qaeda no Iraque.
Al-Zawahiri solicitou a al-Zarqawi que transferisse uma grande soma de dinheiro (U$100.000) para a liderança da organização. Nessa carta, Al-Zawahiri se refere a uma interrupção das doações financeiras à al-Qaeda após a prisão de Abu Faraj al-Libi, um líder da organização, embora Al-Zawahiri descreva a situação financeira da organização como “boa” em geral, o que significa que na época ainda estava entrando algum dinheiro para a al-Qaeda pelo Waziristão.
Não se sabe ao certo se as doações à al-Qaeda, que na sua maioria provém de financiadores dos países do Golfo, diminuíram ou aumentaram nos últimos anos após essa carta ser escrita, mas novas informações do Waziristão não indicam que a organização esteja melhor militar ou financeiramente.
Um ativista afegão que lutou ao lado da al-Qaeda disse que a presença da organização no Waziristão contraiu-se significativamente, seus quadros diminuíram para pouco mais que algumas dezenas de indivíduos. Um jovem afegão, chamado Hafez Hanif, disse à revista Newsweek em uma entrevista publicada em 2 de janeiro que buscou informação sobre um grupo de militantes do al-Qaeda sobre o qual ele nunca mais ouviu falar desde a morte de Bin Laden, e descobriu que eles estavam vivendo em péssimas condições e com seus quadros consideravelmente depauperados.
Enquanto Hanif disse que “dinheiro é um problema bem mais significativo [para a al-Qaeda] que o minguamento de seu efetivo”, o tio do combatente disse à revista que suas fontes confirmam que as doações financeiras à organização, que costumavam ser de milhões de dólares a cada ano provenientes de doadores da região do Golfo, secaram.
Doadores financeiros dedicam-se a outras causas
Parece que os doadores financeiros agora dedicam-se a outras causas além da liderança da al-Qaeda, que aparentemente tornou-se marginalizada e isolada em seu esconderijo no Waziristão. O tio de Hanif disse pensar que “o povo árabe agora pensa que a luta deve ser política e doméstica, e não o terrorismo direcionado para o ocidente”, e que “a luta pacífica nas ruas dos países árabes conquistou mais coisas que Bin Laden e al-Zawahiri jamais conseguiram”.
Caso a informação dada por esses afegãos for verdadeira, isso reforçaria a crença amplamente difundida de que a organização corre o risco de deixar de ser uma força efetiva, como foi no Afeganistão nos anos antes dos ataques de 11 de setembro de 2001.
Essa impressão foi reforçada durante as demonstrações da Primavera Árabe, e novamente após a morte de Bin Laden. Além disso, reportagens da imprensa confirmaram a perda da al-Qaeda de muitos de seus líderes e membros devido a ataques aéreos e confrontos com as forças paquistanesas.
O artigo da Newsweek indicou que a al-Qaeda, que já contou com centenas de combatentes na região de fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão, agora não tem mais que poucas dezenas remanescendo na área, provavelmente incluindo al-Zawahiri e Abu Yahya al-Libi. Esse parco número confirma que a al-Qaeda reduziu-se a um papel secundário. A ausência de combatentes do al-Qaeda nas batalhas travadas pelos braços paquistaneses e afegãos do Talibã contra os governos do Paquistão, Afeganistão e forças ocidentais é outro sinal de sua posição enfraquecida.
O fato da al-Qaeda estar-se deparando com esses problemas no Waziristão não significa que a organização tenha acabado, e ela pode ainda realizar um ataque suicida para vingar a morte de Bin Laden. Mas, mesmo que a al-Qaeda consiga executar um ataque de revanche, isso provavelmente não significaria uma mudança fundamental na situação da falta de combatentes e de caixa, e a organização continua e permanece marginalizada em meio às mais pacíficas revoluções da Primavera Árabe.


Comentários
Devo dizer que não é essa a causa de satisfação quando os fatores que desencadearam o surgimento da Al-Qaeda persistem; além da ambição e ganância comuns, que florescem apenas no Ocidente, o pretender ou mesmo esperar as nossas mesmas condutas, o pouco interesse em ouvir as queixas, esclarecimentos e comentários, sem levar em conta o que divide, confunde e desorganiza nossos costumes e ideias, além do interesse democrático, são justiceiros e populares os que querem ser mais do que os outros e não veem os sacrifícios necessários porque não lhes permitem o estilo de vida feita de aparências, mentiras e cegueira: cegueira é o que há em muitos dos que não viram mais do que o jogo de conveniências necessário às satisfações animais ou irracionais, o que dá no mesmo (o que beneficia a luxúria beneficia a dissolução familiar, a dissolução social, a violência e a mentira). Um porco ou leitão podem me dar a tranquilidade porque nunca pensaram em terrorismo? Talvez alguns se afastem do movimento gerado pela morte, aprendam, resistam e, assim, sejam salvos do que está faltando acabar (Deus ajuda aqueles que ajudam a si próprios).
Carlos Augusto Muriel Palacio Dia 04/02/2012 at 11:05PM