Com a ajuda de bilhões de dólares dos EUA na última década, as Forças Armadas colombianas dispuseram de melhor inteligência e mobilidade para combater os exércitos guerrilheiros, levando seus combatentes para esconderijos ainda mais remotos.

Colômbia reforma seu plano de guerra contra as FARC

Reuters
Um helicóptero decola de uma plantação de coca em la Espriella perto de Tumaco, estado de Nariño, no dia 7 de março de 2009. (Foto: Reuters /  Eliana Aponte)

Um helicóptero decola de uma plantação de coca em la Espriella perto de Tumaco, estado de Nariño, no dia 7 de março de 2009. (Foto: Reuters / Eliana Aponte)

Com a ajuda de bilhões de dólares dos EUA na última década, as Forças Armadas colombianas dispuseram de melhor inteligência e mobilidade para combater os exércitos guerrilheiros, levando seus combatentes para esconderijos ainda mais remotos.

O maior desses grupos, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), modificou no entanto suas táticas, voltando às raízes de sua guerrilha e utilizando unidades menores – em contraposição ao que faziam nos anos 90, quando tomavam grandes extensões de território.

Assim sendo, ainda que o Exército tenha matado líderes das FARC tais como Raul Reyes, em 2008, Mono Jojoy, em 2010, e Alfonso Cano, em 2011, a guerra continua.

Fontes militares e civis familiarizadas com a nova estratégia dizem que a maior mudança é o aumento do foco sobre a logística das FARC e suas operações financeiras, bem como suas principais unidades de combate.

“O centro estratégico de gravidade das FARC não são seus líderes, são suas estruturas”, disse uma fonte militar local.

“Mono Jojoy morreu e nada aconteceu, as FARC continuaram. Cano morreu e nada aconteceu tampouco. Houve desmoralização e enfraquecimento, mas os rebeldes não foram eliminados”.

As novas forças tarefa tentarão destruir as mais importantes “frentes” rebeldes, que são como batalhões e se reúnem para criar “blocos” regionais maiores, nos moldes das divisões militares. Alguns blocos são comandados por líderes do secretariado que comanda as FARC, com sete membros.

A nova estratégia pretende desmanchar as frentes envolvidas no contrabando de cocaína, no tráfico de armas, na fabricação de bombas e na mineração ilegal, bem como eliminar as unidades especializadas de combate, como a temida frente móvel Teófilo Forero, informaram as fontes.

A Colômbia ativou um total de sete forças de trabalho, e planeja acrescentar no mínimo mais cinco. Formadas principalmente por membros das unidades militares, elas têm autonomia de operação e estão sob o controle direto do líder das Forças Armadas.

A maior das forças de trabalho, até o momento, é a “Omega”, que conta com cerca de 25 mil homens com apoio aéreo, de artilharia e naval.

Em uma aparente vitória inicial, os militares disseram que foram os soldados da Omega que mataram o líder da “frente 62” das FARC na província de Meta, região produtora de petróleo, nesta semana. Ele não fazia parte do secretariado das FARC, mas foi um coordenador vital entre seus blocos sul e leste.

A segurança tem sido imensamente melhor do que há uma década, e tem colaborado para a obtenção de níveis recorde de investimentos, principalmente em petróleo e mineração. A Colômbia espera obter investimento exterior de US$ 16 bilhões este ano, em comparação a cerca de US$ 2,1 bilhões em 2002.

A nova estratégia militar será focada principalmente nas FARC, mas também no pequeno grupo insurgente ELN e nas novas quadrilhas criminosas que incluem antigos grupos de contrabando de drogas e paramilitares de extrema-direita que depuseram armas em 2003-2006.

 

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